quinta-feira, 3 de julho de 2014

raízes cursos · Um mergulho na cultura do Maranhão


Richard Lefèvre e Leandro Toledo viajam em busca de referências sobre o tambor de crioula. Ideia da dupla é produzir seu segundo documentário
Há dois anos, a pesquisa com o grupo Pindorama foi realizada no sertão nordestino e deu origem a um documentário - DIVULGAÇÃO


Passados dois anos desde que os músicos Richard Lefèvre e Leandro Toledo se aventuraram pelo sertão nordestino com o projeto Ser-tão Brasileiro (com o grupo Pindorama), a fim de registrar e conhecer um pouco mais das manifestações religiosas e culturais daquele pedaço do país, eles voltam à estrada novamente. No próximo sábado, os músicos e pesquisadores embarcam rumo ao Maranhão, para uma outra saga de reconhecimento e registro da cultura popular: agora, o foco é o tambor de crioula.

Durante 10 dias, Richard e Leandro acompanharão não apenas a trajetória musical e de dança dessa tradição, mas também o cotidiano, a religiosidade e outros processos desses grupos maranhenses. A ideia, adianta Richard, é estabelecer um diálogo entre a tradição nordestina com a paulista, comparando semelhanças e distanciamentos entre o tambor de crioula maranhense e a umbigada, que se mantém viva na região e em locais como Tietê, Capivari, Piracicaba, entre outros. "É uma pesquisa mais ampla, que toma como modelo essas duas tradições culturais, e foca no que as aproximam e no que as distanciam", reforça Richard, lembrando que, se há semelhanças na questão dos instrumentos utilizados e, mesmo uma relação com a tradição do bater dos umbigos, elas destoam no ritmo e na concepção do rito, que tem características, formações e simbologias distintas em cada um dos locais. "Mas há essas semelhanças que devem ter uma ligação umas com as outras, mesmo estando geograficamente bem distantes", pontua o pesquisador.

O resultado da viagem, que passará por cerca de cinco comunidades de tambor no Maranhão, sob a tutoria do produtor, pesquisador cultural e músico Tião Carvalho, virá em forma de documentário, como foi o primeiro Ser-tão Brasileiro. No entanto, o resultado final tende a ficar melhor, acreditam os pesquisadores-realizadores, que ainda não arriscam uma data para o lançamento.

Na primeira empreitada, realizada em setembro de 2012, os músicos e pesquisadores partiram com mais vontade do que técnica, para registrar as 30 cidades de nove Estados nordestinos. O material serviu de base para o espetáculo apresentado e registrado em DVD. Passada essa experiência, acreditam que hoje já dominam melhor técnicas e macetes da câmera fotográfica e de vídeo, além de terem conseguido importantes parcerias para o processo de edição. Com essa realidade, a confiança é que o material resultante dessa viagem tenha qualidade superior.

"A ideia de fazer esse outro trabalho nasceu a partir da receptividade com o material registrado para o Ser-tão. Quiseram investir no documentário, e ele foi como uma alavanca para esse segundo projeto de pesquisa", explica Richard, que depois da primeira experiência abriu a Gunga Produções, que será a realizadora desse projeto.

Diferentemente da primeira vez, quando foram desbravando sozinhos os povoados e as possibilidades; desta vez se lançam com o aval de Tião Carvalho, que será uma espécie de tutor, apresentando os músicos e pesquisadores para as comunidades e orientando sobre a tradição em sua terra natal. "Isso é uma vantagem", pontuam os idealizadores.

Pesquisa in loco

A viagem será custeada pelos próprios músicos e a iniciativa partiu, também, de uma outra oportunidade. Eles participam do projeto Reminiscências de um Tambu, proposto por Vanessa Soares à Lei de Incentivo à Cultura 2014 (Linc), e habilitado, cuja inspiração da pesquisa é o tambor de crioula, e o resultado um espetáculo teatral, chamado Querença.

Como os proponentes já estão no Maranhão e eles também iriam para lá para dar início à pesquisa de concepção do espetáculo, resolveram aproveitar a estada maranhense para dar continuidade às pesquisas de cultura popular brasileira e, nesse caso, fazer a ponte com as manifestações também da região.

Durante os 10 dias de trabalho, transitarão entre a capital, São Luiz, e a cidade de Alcântara. Depois, a pesquisa segue nas cidades paulistas que mantém a tradição da umbigada. "Nossa ideia não é apenas registrar o dançar e o tocar, mas trazer um pouco da textura, das cores, das sensações obtidas nesses lugares", emenda Richard.

Como também estão envolvidos com o projeto Reminiscências de um Tambu, Leandro acredita que, como aconteceu com o material coletado na primeira viagem, esse poderá servir de base para a montagem do espetáculo, como sugestão de cenários ou outras aplicações. Mas salientam, a pesquisa, captura e edição do material é independente e não tem vínculo ou verba da Linc. "Nossa intenção é participar com ele (documentário) de festivais e apresentá-lo às instituições que trabalhem com o assunto", reitera Richard.

Lançamento Cataia

Além do documentário, a Gunga Produções também assina o lançamento do clipe da música Caboclo véio, do grupo Cataia (do qual Richard Lefèvre é integrante) e que acontece hoje, na Capital. O vídeo conta com o participação do ator José Mojica Marins, conhecido também como Zé do Caixão. O lançamento do clipe acontece a partir das 19h, e será seguido do novo show da banda Cataia, batizado de Multicultural, marcado para começar a partir das 22h30, no Centro Cultural Rio Verde, que fica na rua Belmiro Braga, 181, Vila Madalena, São Paulo.

fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/556301/um-mergulho-na-cultura-do-maranhao


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