terça-feira, 12 de agosto de 2014

raízes cursos · Novo tempo na cultura em Goiás




Muito se fala do recém-instalado Fundo de Cultura do Estado sem dar a ele a devida atenção. Trata-se de um mecanismo inédito que transformou em lei o apoio direto à Cultura, com valores proporcionais à crescente arrecadação do Estado.





O Fundo é um marco divisor, porque o apoio à Cultura deixa de estar ao gosto do governador e seu preposto secretário e passa a ser uma garantia do setor. De agora em diante, basta ficar atento para não haver recuos e acompanhar o cronograma de sua implantação anual. E, quando necessário, cobrar, protestar.





A classe artística e cultural não é boba. Mas é aí, no acompanhamento, na cobrança e no protesto, que muitos se enganam. Uns, por inocência ou falta de informação. Outros, por interesses ideológicos e partidários extemporâneos ou pela simples vontade de tumultuar o processo, não importando de que lado esteja a razão e nem mesmo para onde aponta o bom senso.





Devido a essa coisa muito humana (por vezes até humana demais) de criticar o que não se conhece e de querer holofotes a todo custo, o Fundo de Cultura tem sido um saco de pancadas, ora dirigidas à Secretaria de Estado da Cultura, que o gere, ora ao Conselho Estadual de Cultura, que o processa, ora ao governo estadual, que o criou e o jogou no caldeirão onde se misturam todos os demais interesses governamentais.





Com a maioridade que o Fundo lhe outorga, é bem verdade que a Cultura passa a sofrer pressão de outros setores por disputa dos recursos previstos em lei e que, mesmo assim, tem-se que travar combates e cumprir rígidos cronogramas jurídicos e burocráticos para que estes recursos cheguem à seu destino final.





Os seguidos atrasos no prazo de repasse dos recursos aos projetos aprovados no 1º Edital do Fundo têm origem exatamente neste território de pressões que também pode ser chamado de liquidificador ou jogo político.





E aí que, nós da Cultura, estamos perdendo. Novos tempos chegaram e a gestão cultural goiana precisa se fortalecer política e institucionalmente. Precisa saber se ombrear aos demais protagonistas governamentais brandindo seus direitos por igual, avisando que a corda não mais vai romper do lado da Cultura, pois esta deixou de ser o lado mais fraco.





Com o aumento da produção, a conquista de espaço, a sedimentação de calendários de eventos, a multiplicação de público, o fortalecimento gradual do mercado e a formação crítica dos artistas e produtores; a Cultura em Goiás chega definitivamente a um novo patamar de amadurecimento. Em que se fazem urgentes e necessárias novas formas de entendimento e representação.





O secretário de Estado da Cultura precisa ter um ótimo relacionamento e se fazer respeitar em todas as instâncias internas da máquina estadual. Precisa, também, ter apoio político externo, junto ao setor cultural e junto aos representantes populares eleitos à Assembleia Estadual. E precisa, é claro, ter apoio do governador. Tudo isso sem perder de vista os arcabouços culturais que lhe justificam o cargo.





Se este novo perfil é pedir pouco ou exigir muito, isso depende do potencial de cada um que se apresente. O que se sabe ao certo é que estes requisitos se fazem daqui para frente indispensáveis ao ilustríssimo sr. secretário à altura da Cultura em Goiás. É o mínimo necessário, para que daí o setor saiba incorporar e protagonizar os ganhos de seu novo tempo.

fonte: http://www.dm.com.br/texto/187060


Para saber mais sobre raízes cursos acesse cursosraizesculturais.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário